Servidor único em SP é insustentável – Nordeste precisa de estrutura própria
Há anos, desde pelo menos o FIFA 15 e FIFA 16, nós, jogadores do Nordeste, enfrentamos o mesmo problema: o único servidor brasileiro do EA FC fica em São Paulo. Enquanto isso, a empresa segue ignorando uma demanda legítima e recorrente da comunidade.
A distância física já nos coloca em desvantagem inevitável. Um jogador em SP joga com 1ms a 10ms de ping. No Nordeste, mesmo com conexões de fibra ótica e velocidades acima de 600 Mbps, o menor ping que já registrei da minha casa foi 42ms. E isso no melhor cenário possível – na prática, com rotas ineficientes de operadoras, o ping facilmente ultrapassa 50ms.
Essa latência extra compromete lances decisivos: fechar ângulos, reagir em divididas, usar jogadores mais leves ou de alto drible. Em um jogo competitivo, essa diferença é simplesmente inaceitável.
O que mais incomoda é a apatia da EA diante do problema. Não é como se não existisse tecnologia ou interesse comercial para resolver isso. Prova disso é que empresas como Steam e Garena já possuem servidores no Nordeste – a Steam em Recife, a Garena em Fortaleza. Se elas conseguiram enxergar a importância da região, por que a EA não consegue?
E o que torna tudo ainda mais revoltante: pagamos os mesmos R$ 300 (ou mais) pelo jogo, exatamente o mesmo valor que um jogador do eixo Rio-São Paulo. Somos prejudicados pela distância desde o momento da compra, mas na hora das promoções e das vendas, o dinheiro do nordestino é aceito sem qualquer questionamento. A empresa tem a sensibilidade para cobrar, mas não para entregar uma experiência justa.
A exigência é clara: servidores dedicados no Nordeste. Data centers em capitais como Fortaleza, Recife ou Salvador já seriam um avanço gigantesco e mostrariam que a EA se importa com o jogador brasileiro como um todo, não apenas com a região Sudeste.